quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CHOCOLATE - mitos e verdades

Foto: wikipedia

Mitos e Verdades
Por: Maria Ramos

Chocolate dá espinha.

Não há comprovação científica de que o chocolate possa provocar acnes ou espinhas. Muitos médicos acreditam que o agravamento da acne não está ligado à alimentação. Outros recomendam que o paciente observe se há piora ao comer alimentos muito oleosos.

Chocolate dá cáries.

O açúcar contido no chocolate pode causar cáries nos dentes, mas não é mais perigoso que o açúcar contido nos demais alimentos. O importante é manter uma boa higiene bucal.

Chocolate tem estimulantes.

O chocolate possui estimulantes como a cafeína e a teobromina, mas em doses muito baixas para provocar alterações de comportamento. Só para você ter uma ideia, um pedaço de 30 gramas de chocolate ao leite tem aproximadamente a mesma quantidade de cafeína de uma xícara de café descafeinado.

Chocolate pode causar dor de cabeça.

Não há evidências de que o chocolate possa causar dor de cabeça, mas alguns estudos sugerem que isso pode ocorrer em pessoas que sofrem de enxaquecas.

Chocolate vicia.

Muitas pessoas se consideram chocólatras, ou seja, viciadas em chocolate. Mas estudos têm demonstrado que a obsessão por chocolate está mais ligada a fatores culturais do que químicos.

Animais de estimação não podem comer chocolate.

O chocolate pode ser fatal para cães e gatos. Eles não conseguem absorver ou eliminar a teobromina, substância presente no chocolate e, por isso, podem ter problemas cardíacos, hemorragias e até mesmo morrer. É bom lembrar que o chocolate pode ser perigoso ainda que disfarçado em bolos, biscoitos ou sorvete.

A Farsul e as pesquisas

A Farsul e as pesquisas

Estou obcecado pela Farsul.

Ainda vou me dar mal por causa disso. No fundo, a Farsul não me interessa. Vivi 46 anos sem pensar na Farsul. Pensava mais na Greta Garbo. E na Ana Paula Arósio.

Mas o pessoal da Farsul é tão divertido que agora acabo lendo tudo o que escrevem. A Farsul odeia pesquisas. Para ela, o IBGE mente. Salvo quando apresenta números favoráveis ao agronegócio.

O Censo Agropecuário, segundo a turma da Farsul, é uma farsa. Até agora, pelo que entendi, só a Embrapa falava a verdade. Só os números da Embrapa eram sérios. Só a Embrapa tinha boa metodologia. Só os pesquisadores da Embrapa não era ideologizados.

A Embrapa era a voz dos ruralistas. Pois não é que a Embrapa meteu uma bola nas costas da Farsul, obrigando-a a contestar os resultados de estudo sobre produtividade agrícola.

Acontece que a Embrapa descobriu que, entre os Estados abalados pelo clima, o Rio Grande do Sul tem os menores índices de produtividade agrícola. Mexeu com os brios dos nossos ruralistas.

O presidente da Frasul, Carlos Sperotto, reagiu feito um Bento Gonçalves: “Os gaúchos não aceitam o ônus de apresentarem a menor produtividade”. Mas não é uma questão de números? Ou é de orgulho? O orgulho gaúcho rejeita índices negativos.

Então, obviamente, eles não existem. A Farsul só acredita em pesquisas que correspondam ao tamanho do nosso orgulho. Está certo. Sabemos que números são sempre subjetivos.

Parece que um ruralista desencantado saiu com esta: "Até tu, Embrapa, até tu!". É complicado ironizar a Farsul.

Eles não têm senso de humor. Ainda mais quando uma pesquisa mexe com temas sagrados como nossa incontestável produtividade. Entramos numa nova era, muito além da Embrapa e do IBGE. A era dos números subjetivos e ideológicos.

Que Farsul!

Postado por Juremir Machado da Silva - 15/11/2009

16 de novembro é o Dia do Não Fumar


16 de novembro é o Dia do Não Fumar


Por Lise Bocchino, cardiologista do Bronstein/DASA

O combate ao tabagismo tem sido mais do que debatido em épocas de disseminação da Lei Antifumo.


E, segundo a Dra. Lise Bocchino, cardiologista do Bronstein Medicina Diagnóstica/DASA, o tabagismo merece mesmo tanta atenção. Um alerta neste 16 de novembro, Dia do Não Fumar.


O tabagismo é um grave problema de saúde pública, acometendo um terço dos adultos ou 1,2 bilhão de pessoas no mundo.


Na fumaça do cigarro existem 4.770 substâncias tóxicas, sendo as principais nicotina, alcatrão, monóxido de carbono e até substâncias radioativas como Polônio 210 e Cádmio, que também são encontradas nas baterias de carros.


A cardiologista afirma que os fumantes passivos, um dos focos principais da Lei Antifumo, contabilizam 2 bilhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Destes, 700 milhões são crianças, sendo que o fumo passivo é responsável por 50 mil mortes por ano. “Quanto mais fumantes no local de trabalho ou em casa, maior a chance de doenças.


Se houver um fumante no local, a probabilidade de doença é de 30%. Se forem mais de dois fumantes, a chance chega a 50%”, reforça a médica.


Dra. Lise também lembra que o tabagismo é responsável por 75% dos casos de bronquite crônica, 80% dos casos de enfisema pulmonar, 80% dos casos de câncer de pulmão e 25% dos casos de infarto agudo do miocárdio.


No mundo, doenças associados ao fumo provocam 6 milhões de mortes anuais. No Brasil, são 120 mil mortes por ano, ou seja, a cada hora, dez brasileiros morrem devido ao tabagismo.


Existem no país 35 milhões de fumantes, dos quais 3 milhões têm entre dez e 19 anos.
A cardiologista esclarece o que leva uma pessoa a fumar. O vício normalmente se instala em três meses e o ato de fumar costuma ser vinculado a um imenso bem-estar, um regulador de humor e de comportamento. “Em apenas sete segundos a nicotina, altamente viciante, é absorvida e chega ao cérebro”, diz Lise.


Os principais efeitos da nicotina são a sensação de alívio e prazer, criando uma excitação que aumenta a vigilância e diminui a fome, melhorando o rendimento de atividades.


Na esfera médica, segundo a cardiologista, os efeitos do cigarro são inúmeros. Dentre eles taquicardia, vasoconstrição periférica, elevação da pressão arterial, aumento do débito cardíaco, elevação do consumo de oxigênio no miocárdio, indução ao vasoespasmo coronariano, elevação da carboxihemoglobina, leucocitose e policitemia secundária, aumento da viscosidade sanguínea, aumento da ativação e da agregação plaquetária, aumento da expressão de moléculas de adesão em leucócitos, elevação da concentração de fibrinogênio, elevação dos níveis de ácidos graxos, elevações de lipoproteínas de baixa e muito baixa densidade e redução dos níveis do colesterol de alta densidade.
Lise reforça que, para as mulheres, ainda existem os riscos de indução à menopausa precoce, aborto espontâneo e de nascimento de bebê com baixo peso.


Para quem usa anticoncepcionais, os riscos aumentam, em média, em dez vezes. “O tabagismo também é comprovado causador de câncer, sendo os principais tipos os de boca, laringe, esôfago, pulmão, bexiga, estômago e colo uterino. Isso sem falar no infarto agudo do miocárdio, AVC (derrame) e impotência sexual”, revela.


Parar de fumar, de acordo com a médica, não costuma ser fácil. Fazem parte da abstinência uma intensa vontade de fumar, frustração, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, aumento do apetite, insônia, dores de cabeça e até depressão. “Mas lembre que os tratamentos existem e são eficazes. Por meio de remédios e de apoio psicológico, você terá um forte suporte”, finaliza.


Informações podem estimular o ex-fumante no processo de abandono do vício:


- Ao parar de fumar, em apenas 20 minutos seu pulso volta ao normal- Após oito horas, o nível de oxigênio no sangue aumenta;


- Em 24 horas, o pulmão fica mais limpo;


- Depois de dois dias, o paladar e o olfato melhoram sensivelmente, além de a respiração e o nível de energia terem uma melhora considerável;


- Depois de duas semanas a três meses, o sistema imunológico fica mais ativo
Estratégias comportamentais para não fumar:


- Tomar água;


- Fazer exercício físico;


- Descobrir novas distrações;


- Eliminar cinzeiros e isqueiros;


- Trabalhar pensamentos automáticos;


- Substituir o cigarro por alimentos não engordativos;


- Se a ansiedade aparecer, tenha sempre em mente que ela é uma sensação que normalmente dura menos do que cinco minutos e que a superação vai valer a pena.


Por Lise Bocchino, cardiologista do Bronstein/DASA

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Farsul contra o meio ambiente gaúcho

A Farsul contra o meio ambiente gaúcho

Quem é mais perigoso: o MST ou a Farsul? Parece provocação. E é. O MST andou derrubando laranjeiras em São Paulo.

A Farsul quer derrubar toda a legislação ambiental gaúcha. Os agrochatos pretendem liquidar os ecochatos.

Tramita na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul o PL 154, tramado meio na surdina, que propõe acabar com as Áreas de Proteção Permanente.

Em lugar dos 30 metros mínimos, por exemplo, de preservação às margens dos rios, a Farsul e os seus ruralistas xiitas querem uma proteção de 5 metros. Eta mundo velho sem porteira! Se der, vai ter eucalipto dentro de rio. E não haveria diferença entre áreas intocadas e áreas já utilizadas.

A Farsul, como no caso dos transgênicos, faz da desobediência às leis vigentes o seu melhor argumento, o do fato consumado. A isso a Farsul chama de princípio de realidade.

Ao mesmo tempo em que tenta crimininalizar os movimentos sociais e exigir deles que respeitem as leis mesmo quando as leis não foram respeitadas por quem grilou terras, não faz o mesmo quando é do seu interesse.

Os deputados da base aliada estão empurrando com as enormes barrigas um projeto devastador e ardiloso, em nome, como sempre, da produção, da economia e dos ganhos sedutores e incomensuráveis.

É a velha ganância travestida de razoabilidade e de progresso. Muita gente tem medo do MST. Faz sentido.

Neste caso, eu tenho mais medo da Farsul. Salvo se tudo isso é ignorância minha. Afinal, todo dia um ruralista garante que sou muito ignorante e tolo.

Acredito no IBGE.

Postado por Juremir Machado da Silva - 11/11/2009 11:18

Combate à fome sem recursos







Combate à fome sem recursos


Cerca de 60 países se reuniram em Roma e, nesta segunda-feira, rejeitaram a destinação de mais 44 bilhões de dólares para a tentativa de erradicação da fome no mundo até 2025. A proposta havia sido encaminhada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).


Com isso, foi mantida a meta anterior, de reduzir a fome pela metade em todo o planeta até o ano de 2015.Para BaKi-moon, secretário-geral da ONU, é urgente estabelecer um plano de ação contra a fome de modo a que as pessoas sejam capacitadas e incentivadas a buscar sua autossuficiência na questão alimentar.

Por isso, as políticas públicas não podem adotar o caminho do mero assistencialismo.

Por sua vez, Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, lamentou que um encontro dessa magnitude tenha terminado sem estabelecer ações concretas para um combate efetivo contra a fome e a desnutrição nos países mais pobres e subdesenvolvidos.


O total de pessoas famintas, de acordo com levantamentos efetuados pela ONU, teve um incremento de cerca de 150 milhões de pessoas como consequência da crise econômica mundial, passando de 850 milhões para mais de 1 bilhão de pessoas entre 2008 e 2009.No ano de 1996, quando a meta de redução do contingente com fome foi estabelecido em levar esse montante à metade em 2015, havia cerca de 400 milhões de pessoas em situação alimentar crítica.



A aceleração desses números demonstra que está se fazendo cada vez menos para enfrentar um quadro que piora cada vez mais. Inclusive, chama a atenção o fato de que, no início do ano de 2009, o G-8, que reúne as maiores economias internacionais, prometeu 20 bilhões de dólares nos próximos anos.


Como apenas a Itália compareceu ao encontro de Roma, ficam dúvidas sobre a disposição de cumprir esse compromisso no prazo estipulado.

A recessão que assolou o mundo no final de 2008 e no ano de 2009 continua a repercutir no cenário mundial, com consequências as mais imprevistas possíveis.


Com isso, sofrem as populações mais carentes das nações mais pobres, que acabam sendo as grandes vítimas da estagnação da economia.


A fome nesses focos mais vulneráveis é um problema de todos os países-membros da ONU, inclusive do Brasil, uma vez que a miséria não respeita fronteiras.

FONTE: JORNAL CORREIO DO POVO - TERÇA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2009

ÁGUA: Fundamental para combater a pobreza



ÁGUA : Fundamental para combater a pobreza


Por Nasseem Ackbarally, da IPS

Midrand, África do Sul, 16/11/2009 –


A falta de água limpa e saneamento adequado afeta diretamente a saúde e a economia da África, concluíram na sexta-feira, 13/11, especialistas do continente reunidos na cidade de Midrand, na África do Sul. Por outro lado, delegados da sociedade civil pediram “mais do que palavras”, ao também participarem da Segunda Semana da Água na África. A ministra da Água e de Assuntos Ambientais da África do Sul.
Buyelwa Sonjica, eleita presidente do Conselho de Ministros Africanos da Água para os próximos dois anos, destacou que a cooperação com estes temas será fundamental para romper o ciclo de pobreza no continente.
Também enfatizou a necessidade de fortalecer a infraestrutura regional para levar adiante programas de água e saneamento.Por sua vez, Clarissa Brocklehurst, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), previu que 15 países não atingirão a meta, incluída nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de fornecer água potável, e 39 não conseguirão a meta referente ao saneamento. “Para se conseguir o objetivo do saneamento na África, 45 milhões de pessoas por ano deveriam ganhar acesso a ele antes de 2015”, destacou.
Brocklehurst disse ainda que, apesar de os desembolsos para a água na África terem aumentado de maneira significativa, a infraestrutura precisa ser atualizada.
Também e lamentou que apenas uma pequena parte da ajuda seja dirigida a serviços de água básicos e ao desenvolvimento do saneamento.
“Existem três temas contextuais que afetam os investimentos: crescimento populacional, agricultura e mudança climática”, afirmou. Vários acordos foram assinados na conferência, incluindo empréstimo de US$ 67 milhões concedidos pela Holanda para apoiar o desenvolvimento de infraestrutura nas comunidades pobres.
Durante todo encontro foram feitas sessões paralelas sobre temas relacionados, com financiamento e mudança climática.
Um assunto recorrente foi a necessidade de vontade política, em conjunto com um acertado conhecimento das realidades no terreno para poder avançar de forma efetiva e eficiente.
Os participantes da Semana da Água também revisaram outros temas importantes, com falta de adequada governabilidade e a corrupção em alguns países africanos, além do papel negativo desempenhado em certas ocasiões por grandes empresas de mineração.
Delegados da sociedade civil disseram que, diante das urgentes necessidades sócio-econômicas africanas, mais do que nunca, é importante avançar além dos discursos. “Chega de compromissos.
Temos promessas suficientes. Por favor, podemos ver algo de concreto? Neste momento tudo continua igual, e é por isso que a África está atrasada em relação aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, disse a secretária-executiva da Rede da Sociedade Civil sobre Água e Saneamento, Jamillah Mwanjisi. “Em certos países, uma em cada oito pessoas tem acesso a saneamento seguro.
Em termos de fornecimento de água, são em sua maioria pessoas ricas em de áreas urbanas que têm acesso, enquanto a comunidade rural pobre deve caminhar oito quilômetros para conseguir água”, afirmou.
Os governos assumiram vários compromissos para resolver estes problemas (A última vez na cúpula da União Africana realizada em julho de 2008 no balneário egípcio de Sharm el Sheikh), mas a sociedade civil diz que sua implementação fracassou devido à falta de dinheiro e de vontade política. “A ajuda dos doadores não é suficiente, e na maior parte é dirigida a nações de renda média (na Ásia ou América Latina) onde, talvez, a brecha (de água e saneamento) não seja tão grande como na África”, disse Mwanjisi.
Até há pouco tempo – prosseguiu – o saneamento nem mesmo estava na agenda política dos governos africanos.Por sua vez, a presidente da Federação Nacional para a Proteção do Meio Ambiente, da Argélia, Fatima Zohra Zerouati, disse à IPS: “A África está muitíssimo atrasada (nos objetivos de água e saneamento) e precisamos de ações já”.
Destacou que os líderes deveriam entender que a água e o saneamento são mais importantes do que o exército, que de longe recebe mais recursos em quase todas as nações. Ada-Oko Williams, coordenadora regional da organização não-governamental Water Aid, disse que devem ser priorizados estes temas, criar agências responsáveis e estabelecer planos nacionais de saneamento para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
A ativista destacou que a Water Aid desenvolveu programas de associação com governos locais em vários Estados da Nigéria, e disse que deveriam ser tomados como modelo em outros países. Williams, reconheceu que algumas autoridades destinaram dinheiro a estes problemas, mas de forma pouco eficiente.
Ela disse que é comum ver um funcionário governamental ir a uma aldeia, cavar um poço e ir embora sem promover nenhum tipo de participação da comunidade. “Mas, agora vemos que os governos locais estão entendendo porque devem falar com as pessoas e porque as vozes dos beneficiados são importantes.
Também entendem que a comunidade pode ter um papel-chave, principalmente em termos de operações e manutenção das instalações”, disse Williams à IPS.
(IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Não se comem promessas



Não se comem promessas

Por Paul Virgo, da IPS

Roma, 16/11/2009 –

A Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, que começa hoje em Roma, corre o risco de se transformar em uma grande oportunidade perdida, alertaram especialistas e organização não-governamentais.

Aumentam os temores de que os principais líderes mundiais não compareçam à reunião convocada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e, também, que não se materializem novos compromissos vinculantes. A FAO realiza esta reunião em sua sede para dar novo fôlego à luta contra a fome, que afeta cerca de um bilhão de pessoas, quase a sexta parte da população mundial.

Prevê-se que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não compareça, e até agora o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, é o único líder de um país do Grupo dos Oito mais poderosos a confirmar presença. “É uma tragédia os líderes mundiais não assistirem a cúpula”, disse aos jornalistas Daniel Berman, da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras. Muitos especialistas também se preocupam que, como costuma acontecer com esses encontros, após muitas palavras pouco se obrigue as nações a adotarem medidas ao final da reunião.

De fato, a primeira destas conferências sobre alimentação, em 1996, fixou o objetivo de reduzir à metade o número de pessoas que sofriam fome – 825 milhões naquele momento – até 2015, mas o mundo se moveu na direção oposta. “Podemos obter mais declarações de boas intenções, mas, qual é a substancia que há por trás delas? Duvido que se consiga compromissos financeiros específicos no encontro”, disse à IPS Markus Giger, do Centro para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente da Universidade de Berna. “O número de pessoas famintas e desnutridas está aumentando. Os países devem fazer mais. Estamos longe de alcançar nossos objetivos. É inaceitável”, ressaltou.

Um rascunho da declaração da cúpula contém poucas coisas que já não tenham sido declaradas pelo G-8 em sua reunião de 8 a 10 de julho em L’Aquila, na Itália. Nessa ocasião o G-8 prometeu “agir com o nível e a urgência necessários para conseguir uma segurança alimentar mundial sustentável”, entre outras coisas reduzindo os obstáculos nas negociações da Organização Mundial do Comércio e mobilizando US$ 20 bilhões nos próximos três anos para a agricultura sustentável nos países em desenvolvimento. Porém, fontes diplomáticas disseram à agência de noticias Reuters que menos de um quarto dessa quantia será realmente em efetivo.

“A declaração é apenas uma mistura de obviedades. Diz que a fome será reduzida pela metade até 2015, mas não compromete novos recursos para conseguir isso nem oferece uma maneira de fazer os governos assumirem suas responsabilidades. Infelizmente, os pobres não podem comer promessas”, disse Francisco Sarmiento, coordenador de direitos alimentares da ActionAid. Mesmo que os US$ 20 bilhões se concretizem, serão insuficientes, segundo a FAO.

O diretor-geral da agência, Jacques Diouf, disse que são necessários US$ 44 bilhões ao ano em ajuda oficial ao desenvolvimento para investimentos em agricultura e infraestrutura rural, acrescentando que os próprios países em desenvolvimento devem destinar maiores porcentagens de seus orçamentos a estas áreas. Este dinheiro é necessário para melhorar o acesso dos agricultores a sistemas de irrigação, maquinas modernas, sementes e fertilizantes, bem com para melhorar a infraestrutura rural e as estradas, para se conseguir os insumos necessários para aumentar a produção e depois levá-la ao mercado.

Jean-Philippe Audinet, diretor da divisão de políticas do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), é mais otimista do que algumas organizações não-governamentais em relação ao resultado da cúpula da FAO. Junto com esta agência e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) o Fida é uma das três organizações alimentares da Organização das Nações Unidas com sede na capital italiana. Promove a causa dos pequenos agricultores e suas famílias, que contabilizam dois bilhões de pessoas, ou cerca de um terço da população mundial.

O Fida diz que a situação destas pessoas deveria ser primordial, não só porque três quartos dos famintos do vivem em áreas rurais, mas também porque investir neles ajudará o planeta a conseguir o objetivo de aumentar em70% a produção alimentar. Isto permitirá atender as necessidades de uma população que provavelmente chegará a 9,1 bilhões até 2050. A Audinet agrada ver que agora existe um reconhecimento universal da importância da agricultura em geral e dos pequenos produtores em particular.

“Em termos de substancia, sabemos o resultado da cúpula, e, a menos que haja surpresas, os conteúdos da declaração não serão novos. Em boa parte estarão em linha com o que o G-8 aprovou em L’Aquila”, disse Adinet à IPS. “Mas, o fato de todos os países aprovarem os mesmos princípios, entre eles as nações onde a fome é um problema importante, em nível da ONU é um êxito”, acrescentou. Entretanto, admitiu que preocupa a possibilidade de muitos pesos pesados da política estarem ausentes.

A presença de aproximadamente 60 chefes de Estado e de governo em Roma, entre eles o papa Bento 16 e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deveria pelo menos ajudar a manter a segurança alimentar sob o olhar do público internacional. “É de extrema importância os chefes de Estado e de governo se reunirem para debater sobre a fome. Nos agrada o fato de a fome estar recuperando sua legitima posição entre as prioridades”, disse à IPS Natalie Duck, da Ação Contra a Fome. “Também é crucial que a comunidade internacional reconheça que abordar o problema da fome não é apenas uma questão de produção agrícola”, acrescentou. “É importante que as agências da ONU e a comunidade internacional compreendam a necessidade de coordenar todas as áreas: saúde, nutrição, meios de sustento e proteção social, bem como agricultura”, afirmou.

Duck também acredita que um grande passo à frente seria a criação de um mecanismo para controlar o cumprimento de promessas como as assumidas pelo G-8 em julho. “Precisamos de um sistema que faça acompanhamento dos compromissos dos doadores para garantir os investimentos nos países, a fim de que as políticas para combater a fome e a desnutrição possam ser implementadas no âmbito nacional. É necessário que um organismo cuide de tornar responsáveis as pessoas pelos compromissos assumidos nestas cúpulas”, acrescentou.

Por sua vez, Diouf parecia fazer o que pode para mobilizar o apoio público para a luta contra a fome e empurrar os líderes mundiais à ação antes da cúpula. Na semana passada à FAO lançou uma petição via Internet (www.1billionhungry.or/house/es) na qual pede a priorização deste tema, e Diouf propôs a criação de um “dia mundial de greve de fome”, no último final de semana, em solidariedade com os maus nutridos. Sua mensagem combina o otimismo de que “erradicar a fome não é um sonho” (como mostraram países como Brasil, Nigéria e outros 29 que conseguiram avanços significativos) com alertas sobre o preço da falta de ação.

“Uma em cada seis pessoas sofre a dor da fome, a cada seis segundos morre de fome uma criança, e esta tragédia enorme não é apenas uma indignação moral e um absurdo econômico, mas também representa uma séria ameaça à nossa paz e segurança coletivas”, disse Diouif aos jornalistas. Além disso, deve-se recordar que “as pessoas famintas também são, com toda razão, pessoas com raiva, que seria fonte potencial de conflito e migrações forçadas, como vimos em 2007 e 2008, quando eclodiram distúrbios em 22 países de todos os continentes devido ao rápido aumento nos preços dos alimentos”, acrescentou.


(IPS/Envolverde)

FONTE: Envolverde