terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Farsul contra o meio ambiente gaúcho

A Farsul contra o meio ambiente gaúcho

Quem é mais perigoso: o MST ou a Farsul? Parece provocação. E é. O MST andou derrubando laranjeiras em São Paulo.

A Farsul quer derrubar toda a legislação ambiental gaúcha. Os agrochatos pretendem liquidar os ecochatos.

Tramita na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul o PL 154, tramado meio na surdina, que propõe acabar com as Áreas de Proteção Permanente.

Em lugar dos 30 metros mínimos, por exemplo, de preservação às margens dos rios, a Farsul e os seus ruralistas xiitas querem uma proteção de 5 metros. Eta mundo velho sem porteira! Se der, vai ter eucalipto dentro de rio. E não haveria diferença entre áreas intocadas e áreas já utilizadas.

A Farsul, como no caso dos transgênicos, faz da desobediência às leis vigentes o seu melhor argumento, o do fato consumado. A isso a Farsul chama de princípio de realidade.

Ao mesmo tempo em que tenta crimininalizar os movimentos sociais e exigir deles que respeitem as leis mesmo quando as leis não foram respeitadas por quem grilou terras, não faz o mesmo quando é do seu interesse.

Os deputados da base aliada estão empurrando com as enormes barrigas um projeto devastador e ardiloso, em nome, como sempre, da produção, da economia e dos ganhos sedutores e incomensuráveis.

É a velha ganância travestida de razoabilidade e de progresso. Muita gente tem medo do MST. Faz sentido.

Neste caso, eu tenho mais medo da Farsul. Salvo se tudo isso é ignorância minha. Afinal, todo dia um ruralista garante que sou muito ignorante e tolo.

Acredito no IBGE.

Postado por Juremir Machado da Silva - 11/11/2009 11:18

Combate à fome sem recursos







Combate à fome sem recursos


Cerca de 60 países se reuniram em Roma e, nesta segunda-feira, rejeitaram a destinação de mais 44 bilhões de dólares para a tentativa de erradicação da fome no mundo até 2025. A proposta havia sido encaminhada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).


Com isso, foi mantida a meta anterior, de reduzir a fome pela metade em todo o planeta até o ano de 2015.Para BaKi-moon, secretário-geral da ONU, é urgente estabelecer um plano de ação contra a fome de modo a que as pessoas sejam capacitadas e incentivadas a buscar sua autossuficiência na questão alimentar.

Por isso, as políticas públicas não podem adotar o caminho do mero assistencialismo.

Por sua vez, Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, lamentou que um encontro dessa magnitude tenha terminado sem estabelecer ações concretas para um combate efetivo contra a fome e a desnutrição nos países mais pobres e subdesenvolvidos.


O total de pessoas famintas, de acordo com levantamentos efetuados pela ONU, teve um incremento de cerca de 150 milhões de pessoas como consequência da crise econômica mundial, passando de 850 milhões para mais de 1 bilhão de pessoas entre 2008 e 2009.No ano de 1996, quando a meta de redução do contingente com fome foi estabelecido em levar esse montante à metade em 2015, havia cerca de 400 milhões de pessoas em situação alimentar crítica.



A aceleração desses números demonstra que está se fazendo cada vez menos para enfrentar um quadro que piora cada vez mais. Inclusive, chama a atenção o fato de que, no início do ano de 2009, o G-8, que reúne as maiores economias internacionais, prometeu 20 bilhões de dólares nos próximos anos.


Como apenas a Itália compareceu ao encontro de Roma, ficam dúvidas sobre a disposição de cumprir esse compromisso no prazo estipulado.

A recessão que assolou o mundo no final de 2008 e no ano de 2009 continua a repercutir no cenário mundial, com consequências as mais imprevistas possíveis.


Com isso, sofrem as populações mais carentes das nações mais pobres, que acabam sendo as grandes vítimas da estagnação da economia.


A fome nesses focos mais vulneráveis é um problema de todos os países-membros da ONU, inclusive do Brasil, uma vez que a miséria não respeita fronteiras.

FONTE: JORNAL CORREIO DO POVO - TERÇA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2009

ÁGUA: Fundamental para combater a pobreza



ÁGUA : Fundamental para combater a pobreza


Por Nasseem Ackbarally, da IPS

Midrand, África do Sul, 16/11/2009 –


A falta de água limpa e saneamento adequado afeta diretamente a saúde e a economia da África, concluíram na sexta-feira, 13/11, especialistas do continente reunidos na cidade de Midrand, na África do Sul. Por outro lado, delegados da sociedade civil pediram “mais do que palavras”, ao também participarem da Segunda Semana da Água na África. A ministra da Água e de Assuntos Ambientais da África do Sul.
Buyelwa Sonjica, eleita presidente do Conselho de Ministros Africanos da Água para os próximos dois anos, destacou que a cooperação com estes temas será fundamental para romper o ciclo de pobreza no continente.
Também enfatizou a necessidade de fortalecer a infraestrutura regional para levar adiante programas de água e saneamento.Por sua vez, Clarissa Brocklehurst, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), previu que 15 países não atingirão a meta, incluída nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de fornecer água potável, e 39 não conseguirão a meta referente ao saneamento. “Para se conseguir o objetivo do saneamento na África, 45 milhões de pessoas por ano deveriam ganhar acesso a ele antes de 2015”, destacou.
Brocklehurst disse ainda que, apesar de os desembolsos para a água na África terem aumentado de maneira significativa, a infraestrutura precisa ser atualizada.
Também e lamentou que apenas uma pequena parte da ajuda seja dirigida a serviços de água básicos e ao desenvolvimento do saneamento.
“Existem três temas contextuais que afetam os investimentos: crescimento populacional, agricultura e mudança climática”, afirmou. Vários acordos foram assinados na conferência, incluindo empréstimo de US$ 67 milhões concedidos pela Holanda para apoiar o desenvolvimento de infraestrutura nas comunidades pobres.
Durante todo encontro foram feitas sessões paralelas sobre temas relacionados, com financiamento e mudança climática.
Um assunto recorrente foi a necessidade de vontade política, em conjunto com um acertado conhecimento das realidades no terreno para poder avançar de forma efetiva e eficiente.
Os participantes da Semana da Água também revisaram outros temas importantes, com falta de adequada governabilidade e a corrupção em alguns países africanos, além do papel negativo desempenhado em certas ocasiões por grandes empresas de mineração.
Delegados da sociedade civil disseram que, diante das urgentes necessidades sócio-econômicas africanas, mais do que nunca, é importante avançar além dos discursos. “Chega de compromissos.
Temos promessas suficientes. Por favor, podemos ver algo de concreto? Neste momento tudo continua igual, e é por isso que a África está atrasada em relação aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, disse a secretária-executiva da Rede da Sociedade Civil sobre Água e Saneamento, Jamillah Mwanjisi. “Em certos países, uma em cada oito pessoas tem acesso a saneamento seguro.
Em termos de fornecimento de água, são em sua maioria pessoas ricas em de áreas urbanas que têm acesso, enquanto a comunidade rural pobre deve caminhar oito quilômetros para conseguir água”, afirmou.
Os governos assumiram vários compromissos para resolver estes problemas (A última vez na cúpula da União Africana realizada em julho de 2008 no balneário egípcio de Sharm el Sheikh), mas a sociedade civil diz que sua implementação fracassou devido à falta de dinheiro e de vontade política. “A ajuda dos doadores não é suficiente, e na maior parte é dirigida a nações de renda média (na Ásia ou América Latina) onde, talvez, a brecha (de água e saneamento) não seja tão grande como na África”, disse Mwanjisi.
Até há pouco tempo – prosseguiu – o saneamento nem mesmo estava na agenda política dos governos africanos.Por sua vez, a presidente da Federação Nacional para a Proteção do Meio Ambiente, da Argélia, Fatima Zohra Zerouati, disse à IPS: “A África está muitíssimo atrasada (nos objetivos de água e saneamento) e precisamos de ações já”.
Destacou que os líderes deveriam entender que a água e o saneamento são mais importantes do que o exército, que de longe recebe mais recursos em quase todas as nações. Ada-Oko Williams, coordenadora regional da organização não-governamental Water Aid, disse que devem ser priorizados estes temas, criar agências responsáveis e estabelecer planos nacionais de saneamento para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
A ativista destacou que a Water Aid desenvolveu programas de associação com governos locais em vários Estados da Nigéria, e disse que deveriam ser tomados como modelo em outros países. Williams, reconheceu que algumas autoridades destinaram dinheiro a estes problemas, mas de forma pouco eficiente.
Ela disse que é comum ver um funcionário governamental ir a uma aldeia, cavar um poço e ir embora sem promover nenhum tipo de participação da comunidade. “Mas, agora vemos que os governos locais estão entendendo porque devem falar com as pessoas e porque as vozes dos beneficiados são importantes.
Também entendem que a comunidade pode ter um papel-chave, principalmente em termos de operações e manutenção das instalações”, disse Williams à IPS.
(IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Não se comem promessas



Não se comem promessas

Por Paul Virgo, da IPS

Roma, 16/11/2009 –

A Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, que começa hoje em Roma, corre o risco de se transformar em uma grande oportunidade perdida, alertaram especialistas e organização não-governamentais.

Aumentam os temores de que os principais líderes mundiais não compareçam à reunião convocada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e, também, que não se materializem novos compromissos vinculantes. A FAO realiza esta reunião em sua sede para dar novo fôlego à luta contra a fome, que afeta cerca de um bilhão de pessoas, quase a sexta parte da população mundial.

Prevê-se que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não compareça, e até agora o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, é o único líder de um país do Grupo dos Oito mais poderosos a confirmar presença. “É uma tragédia os líderes mundiais não assistirem a cúpula”, disse aos jornalistas Daniel Berman, da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras. Muitos especialistas também se preocupam que, como costuma acontecer com esses encontros, após muitas palavras pouco se obrigue as nações a adotarem medidas ao final da reunião.

De fato, a primeira destas conferências sobre alimentação, em 1996, fixou o objetivo de reduzir à metade o número de pessoas que sofriam fome – 825 milhões naquele momento – até 2015, mas o mundo se moveu na direção oposta. “Podemos obter mais declarações de boas intenções, mas, qual é a substancia que há por trás delas? Duvido que se consiga compromissos financeiros específicos no encontro”, disse à IPS Markus Giger, do Centro para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente da Universidade de Berna. “O número de pessoas famintas e desnutridas está aumentando. Os países devem fazer mais. Estamos longe de alcançar nossos objetivos. É inaceitável”, ressaltou.

Um rascunho da declaração da cúpula contém poucas coisas que já não tenham sido declaradas pelo G-8 em sua reunião de 8 a 10 de julho em L’Aquila, na Itália. Nessa ocasião o G-8 prometeu “agir com o nível e a urgência necessários para conseguir uma segurança alimentar mundial sustentável”, entre outras coisas reduzindo os obstáculos nas negociações da Organização Mundial do Comércio e mobilizando US$ 20 bilhões nos próximos três anos para a agricultura sustentável nos países em desenvolvimento. Porém, fontes diplomáticas disseram à agência de noticias Reuters que menos de um quarto dessa quantia será realmente em efetivo.

“A declaração é apenas uma mistura de obviedades. Diz que a fome será reduzida pela metade até 2015, mas não compromete novos recursos para conseguir isso nem oferece uma maneira de fazer os governos assumirem suas responsabilidades. Infelizmente, os pobres não podem comer promessas”, disse Francisco Sarmiento, coordenador de direitos alimentares da ActionAid. Mesmo que os US$ 20 bilhões se concretizem, serão insuficientes, segundo a FAO.

O diretor-geral da agência, Jacques Diouf, disse que são necessários US$ 44 bilhões ao ano em ajuda oficial ao desenvolvimento para investimentos em agricultura e infraestrutura rural, acrescentando que os próprios países em desenvolvimento devem destinar maiores porcentagens de seus orçamentos a estas áreas. Este dinheiro é necessário para melhorar o acesso dos agricultores a sistemas de irrigação, maquinas modernas, sementes e fertilizantes, bem com para melhorar a infraestrutura rural e as estradas, para se conseguir os insumos necessários para aumentar a produção e depois levá-la ao mercado.

Jean-Philippe Audinet, diretor da divisão de políticas do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), é mais otimista do que algumas organizações não-governamentais em relação ao resultado da cúpula da FAO. Junto com esta agência e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) o Fida é uma das três organizações alimentares da Organização das Nações Unidas com sede na capital italiana. Promove a causa dos pequenos agricultores e suas famílias, que contabilizam dois bilhões de pessoas, ou cerca de um terço da população mundial.

O Fida diz que a situação destas pessoas deveria ser primordial, não só porque três quartos dos famintos do vivem em áreas rurais, mas também porque investir neles ajudará o planeta a conseguir o objetivo de aumentar em70% a produção alimentar. Isto permitirá atender as necessidades de uma população que provavelmente chegará a 9,1 bilhões até 2050. A Audinet agrada ver que agora existe um reconhecimento universal da importância da agricultura em geral e dos pequenos produtores em particular.

“Em termos de substancia, sabemos o resultado da cúpula, e, a menos que haja surpresas, os conteúdos da declaração não serão novos. Em boa parte estarão em linha com o que o G-8 aprovou em L’Aquila”, disse Adinet à IPS. “Mas, o fato de todos os países aprovarem os mesmos princípios, entre eles as nações onde a fome é um problema importante, em nível da ONU é um êxito”, acrescentou. Entretanto, admitiu que preocupa a possibilidade de muitos pesos pesados da política estarem ausentes.

A presença de aproximadamente 60 chefes de Estado e de governo em Roma, entre eles o papa Bento 16 e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deveria pelo menos ajudar a manter a segurança alimentar sob o olhar do público internacional. “É de extrema importância os chefes de Estado e de governo se reunirem para debater sobre a fome. Nos agrada o fato de a fome estar recuperando sua legitima posição entre as prioridades”, disse à IPS Natalie Duck, da Ação Contra a Fome. “Também é crucial que a comunidade internacional reconheça que abordar o problema da fome não é apenas uma questão de produção agrícola”, acrescentou. “É importante que as agências da ONU e a comunidade internacional compreendam a necessidade de coordenar todas as áreas: saúde, nutrição, meios de sustento e proteção social, bem como agricultura”, afirmou.

Duck também acredita que um grande passo à frente seria a criação de um mecanismo para controlar o cumprimento de promessas como as assumidas pelo G-8 em julho. “Precisamos de um sistema que faça acompanhamento dos compromissos dos doadores para garantir os investimentos nos países, a fim de que as políticas para combater a fome e a desnutrição possam ser implementadas no âmbito nacional. É necessário que um organismo cuide de tornar responsáveis as pessoas pelos compromissos assumidos nestas cúpulas”, acrescentou.

Por sua vez, Diouf parecia fazer o que pode para mobilizar o apoio público para a luta contra a fome e empurrar os líderes mundiais à ação antes da cúpula. Na semana passada à FAO lançou uma petição via Internet (www.1billionhungry.or/house/es) na qual pede a priorização deste tema, e Diouf propôs a criação de um “dia mundial de greve de fome”, no último final de semana, em solidariedade com os maus nutridos. Sua mensagem combina o otimismo de que “erradicar a fome não é um sonho” (como mostraram países como Brasil, Nigéria e outros 29 que conseguiram avanços significativos) com alertas sobre o preço da falta de ação.

“Uma em cada seis pessoas sofre a dor da fome, a cada seis segundos morre de fome uma criança, e esta tragédia enorme não é apenas uma indignação moral e um absurdo econômico, mas também representa uma séria ameaça à nossa paz e segurança coletivas”, disse Diouif aos jornalistas. Além disso, deve-se recordar que “as pessoas famintas também são, com toda razão, pessoas com raiva, que seria fonte potencial de conflito e migrações forçadas, como vimos em 2007 e 2008, quando eclodiram distúrbios em 22 países de todos os continentes devido ao rápido aumento nos preços dos alimentos”, acrescentou.


(IPS/Envolverde)

FONTE: Envolverde

sábado, 14 de novembro de 2009

Brasil – 120 anos de República (1889/2009)


15 de novembro - Brasil – 120 anos de República (1889/2009)

DOSSIÊ:

120 anos de república – no dia 15 de novembro de 2009, O Brasil comemora o 120º aniversário do regime fundado pelo marechal Deodoro da Fonseca (1889/1891). O presidencialismo brasileiro, porém, não primou exatamente por suas credenciais republicanas.

Ao longo dos seus 100 primeiros anos, nada menos que 49 foram de governos não eleito pelo voto popular.

Na verdade uma República que nem sempre foi guiada pelas Leis e muito menos esteve a serviço do POVO.

REPÚBLICA – 120 ANOS:

2 GOLPES;
1 REVOLUÇÃO;
15 MILITARES NO COMANDO;
27 CIVIS NO PODER;
7 PRESIDENTES SEM VOTOS;
4 DEPOSTOS;
9 ELEIÇÕES INDIRETAS;
20 DIRETAS;
6 CHEFES DA NAÇÃO MORTOS;
71 ANOS DE GOVERNOS ELEITOS PELO POVO;
49 ANOS DE GOVERNOS INDICADOS POR MINORIAS;
21 ANOS DE GOVERNO MILITAR;

OS PRESIDENTES:

21 Advogados;
2 Jornalistas;
1 Médico;
1 Engenheiro;
1 Sociólogo;
1 Metalúrgico;
6 Marechais;
6 Generais (inclui os da Juntas Militares);
2 Almirantes;
1 Brigadeiro;

Compreende-se, diante desse levantamento, por que ser “republicano” ainda é uma distinção no Brasil. Republicanos passaram a ser aqueles que denunciam o paradoxo que por ai vigora: construiu-se, sem povo e sem observância às leis, um regime que necessariamente teria que repousar sobre esses dois pilares.

Não bastasse essa contradição, os últimos 120 anos do calendário político se basearam na usurpação do patrimônio coletivo e na noção de que o Estado é um instrumento para obtenção de vantagens individuais, mais duas práticas que são a negação da essência do regime.

O que a história mostra é que a República caminhou no sentido oposto aos preceitos que supostamente a inspiram. O exemplo mais candente é o de Deodoro da Fonseca, marechal que simbolicamente liderou o processo que livrou o Brasil da monarquia.
Foi o primeiro presidente da nação, de início com poderes ditatoriais. Na fase constitucional de seu governo, esse quase herói tentou dar um golpe na República que proclamou, inaugurou uma era de censuras à imprensa e fechou o Congresso. AO FIM, RENUNCIOU.

Depois de Deodoro, muitos outros optaram pelo confronto com a legalidade. Getúlio Vargas foi empossado pela Revolução de 30.Não bastasse enraizar – se no poder, Vargas dissolveu o Congresso para outorgar uma nova Constituição que garantia sua permanência.

A legalidade, base de República, foi muitas outras vezes vilipendiada. Linhas sucessórias foram desrespeitadas, como no caso do vice de Jânio Quadros, João Goulart, impedido de assumir em 1961, depois da renúncia do titular.

Outro fundamento da República é a participação popular, também uma condição básica da liberdade dos cidadãos. Dos 120 anos de República brasileira, porém, só 71 tiveram um governo diretamente eleito pelo voto do povo.

Pode – se argumentar que os 49 anos sob a égide de eleições indiretas não significaram necessariamente a exclusão do povo, pois há Repúblicas em que o voto parlamentar é representativo. Mas não é esse o caso do Brasil, que viveu 21 anos sob uma ditadura militar (1964/1985) e outros 15 anos sob as artimanhas da era Getúlio, ora revolucionária, ora constitucional e, na maior parte do tempo, um bicho estranho ao real sentido do Estado de Direito.

As ditaduras são uma mácula no país, mas não apenas elas. Várias vezes a exceção prevaleceu sobre a regra, em episódios envolvendo, especialmente, ministros e presidentes militares.
Foram 15 os chefes da nação que, em vez de uma profissão, ostentaram uma patente.
Hermes da Fonseca, que governou entre 1910 e 1914, foi eleito pelo povo; uma exceção, já que a constelação de marechais, generais e almirantes que em diferentes momentos usaram com desembaraço a faixa presidencial não se submeteu a esse ritual.

O país teve 27 civis no comando, 21 deles advogados de formação. Só depois de 1985, houve uma diversificação de ofícios.

Civis ou militares, porém, muitos atentaram contra a essência do republicanismo. É que em boa parte do período que vai de 1889 a 2009 quem governou a República não foram só ditadores e indivíduos eleitos, alguns justos, outros aventureiros e uns tantos tipos messiânicos.
No comando do país estiveram também a corrupção e o patrimonialismo, que são os outros nomes de usurpação do patrimônio público e do uso do Estado para obtenção de vantagens individuais.

Liliana Pinheiro – Editora da Revista História Viva.

RAIO X

15 Militares no comando (inclui nomes das duas juntas militares);
2 Presidentes com média de tempo no poder de 2 anos e 9 meses;
20 eleições diretas;
1 Presidente em regime parlamentarista;
2 Presidentes eleitos ou Vices não empossados (morte, doença);
4 Presidentes empossados e depostos;
3 Presidentes que renunciaram;
40 Civis no comando (inclui os eleitos, convocados e indicados);
9 eleições indiretas (votações no Congresso Nacional);
7 Chefes da nação sem um único voto (exclui sucessores constitucionais, como vices e presidentes do Legislativo e do Judiciário);
2 Presidentes empossados que morreram no cargo;
6 Presidentes que cumpriram mais de uma gestão (por reeleição consecutiva ou não, substituição ou por golpe e outros atos de exceção).

O POVO E O PODER:

71 ANOS - Governos eleitos pelo voto popular ( incluindo vices e sucessores constitucionais);
49 ANOS - Governos eleitos de forma indireta ou por atos de exceção.

CURIOSIDADES:

O Presidente mais velho foi Tancredo Neves, escolhido aos 75 anos. Morreu antes de tomar posse;

O Presidente mais novo foi Fernando Collor de Mello, eleito aos 40 anos. Renunciou para escapar do impeachment;

A média de idade dos Presidentes que chegaram ao poder é de 57 anos;

Getúlio Vargas foi o que ficou mais tempo no poder: 18 anos, contando a fase de revolução, o golpe do Estado Novo e o mandato por eleição direta;

Fernando Henrique Cardoso foi o segundo mais longevo, com oito anos de governo democrático;

Luiz Inácio Lula da Silva é o terceiro mais resistente, com sete anos de gestão democrática, e caminha para o empate com FHC;

Carlos Luz teve o mais curto mandato da história: três dias. Substituiu o Vice de Vargas em 1955, pois era o terceiro na linha sucessória. Acabou deposto por um dispositivo militar.

FONTE: REVISTA HISTÓRIA VIVA – ANO VI. Nº73

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Deputados aprovam lei antifumo no Rio Grande do Sul


Deputados aprovam lei antifumo no Rio Grande do Sul


A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou nesta terça-feira, com 41 votos favoráveis e dois contrários, um projeto de lei que proíbe o fumo de tabaco e similares em ambientes coletivos fechados em todo o Estado. O projeto agora segue para sanção da governadora Yeda Crusius (PSDB).


A medida exclui a proibição aos locais de culto religioso, onde o fumo faz parte do ritual, e autoriza a criação de fumódromos. O projeto permite também o fumo em residências e ambientes ao ar livre.


Apesar de permitir a criação de fumódromos, o projeto exige que os estabelecimentos criem ambientes com "soluções técnicas que garantam plenamente a exaustão do ar desta área para o ambiente externo".


"Esta foi uma tentativa de construir consenso sobre o tema na sociedade gaúcha, reduzindo a exposição das pessoas, principalmente as não fumantes, à fumaça do cigarro que é tão prejudicial à saúde. No entanto, nossa proposta não poderia ser a mesma de outros Estados, considerando a importância da cultura do fumo no setor primário de nosso Estado, que é responsável por mais da metade da produção nacional", afirmou o deputado Miki Breier (PSB), autor do projeto de lei.


O texto define como ambiente coletivo fechado: os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de lazer, de esporte e de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de feiras e exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, e veículos oficiais de qualquer espécie.


Em São Paulo, a lei antifumo entrou em vigor em agosto deste ano. Já no Rio, a lei começa a valer a partir de novembro. Outros Estados que adotaram a medida são o Paraná, o Espírito Santo e Rondônia.


Folha Online.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Peixes também sentem dor


Peixes também sentem dor
Animais sentem medo e sensação consciente de desconforto

© Katrina Brown/Shutterstock



Muitos fãs de receitas culinárias preparadas peixes e frutos do mar costumam alardear a idéia popular de que tanto esses animais não sentem dor. Um novo estudo, entretanto, sugere que eles possuem sistemas nervosos mais complexos do que pensávamos e sua consciência das sensações dolorosas pode ser, evolucionariamente, muito mais antiga do que suspeitávamos. Ou seja: eles sofrem quando são feridos e mortos.

O pesquisador Joseph Garner, da Universidade de Purdue, na Noruega, que acompanhou peixinhos dourados, mostrou que esses animais experimentam a dor de forma consciente – e não apenas reagem a um reflexo, como quando uma pessoa recolhe o pé depois de pisar em um prego (antes mesmo de estar consciente da sensação). Nesse estudo, os biólogos descobriram que o peixinho dourado que recebia uma injeção de salina e era exposto a um grau doloroso de calor, em um tanque de teste, ficava flutuando em um único ponto quando recolocado em seu próprio tanque. Garner identifica isso como um “comportamento de medo e evasão”. Segundo ele, tal reação é cognitiva e não resultante de reflexos. Outros peixes, depois de receber uma injeção de morfina que bloqueava o impacto da dor, não mostraram esse comportamento.

Embora as descobertas de Garner combinem um trabalho anterior que sugeriu que esses animais podem sentir dor, alguns especialistas não estão convencidos de que a reação não foi resultado apenas uma reação de escape instintivo. Mesmo assim, o novo estudo cria preocupações éticas. “Precisamos nos responsabilizar por nossas escolhas; se usamos animais nos experimentos e também os comemos é importante entender as conseqüências e o alcance de nossas ações”, diz Garner.


FONTE:UOL